terça-feira, 6 de novembro de 2007

Tem churrasco no fim de semana

Os dias estavam lentos e Ronaldo Pelota estava ansioso para o programa do fim de semana. Ele havia combinado com os amigos de fazer um churrasco em seu sítio, que fica em uma cidade a 90 km de Belo Horizonte. O lugar é tranqüilo, com um terreno extenso, que abriga pés de manga, jabuticaba, goiaba, entre outras frutas. Além de ter um curral cheio de vacas que relembra a infância de Pelota – ele acordava às 5h30 da manhã para tomar o leite das vaquinhas.
Mas aquele fim de semana não iria chegar nem perto da tranqüilidade do local. Muita cerveja, carne e bagunça era o que prometia esse encontro com os amigos. Leite, nem pensar. E por isso pelota estava inquieto; ele olhava o relógio de cinco em cinco minutos, ligava para as pessoas de dez em dez, e ainda tinha dificuldades para dormir. Tudo por causa de um simples fim de semana de cerveja e amigos. Para ele isso era o que importava na vida. Além do futebol e da família, é claro. O churrasco era sábado e domingo ele voltaria a Belo Horizonte para assistir o jogo do Glorioso Clube Atlético Mineiro com seu pai.
Quando o fim de semana chegou, a ansiedade já era totalmente incontrolável. Pelota acordou cedo, ligou para todos os amigos e os apressou para a viagem. Iam três carros para o sítio, com sete mulheres e oito homens, e por isso houve um atraso de quase duas horas para a saída de Belo Horizonte. Era um mais enrolado que o outro. Mas o dia estava ensolarado e nada poderia atrapalhar aquele momento.
Chegando à cidade onde se encontra o sítio, Pelota e seus companheiros foram comprar os ingredientes do churrasco. Foi uma luta para escolher o que queriam.
- Eu quero Brahma!
- Eu quero Skol.
- Não, sô! Antártica é mais barata; ainda tem a carne.
Até que eles fizeram a conta de qual seria o melhor custo benefício e decidiram: capricharam na cerveja e compraram a carne com o menor preço e em menor quantidade do que tinham planejado.
- Acho que não vamos precisar de muita comida mesmo não, ponderou Pelota.
A festa começou em grande estilo. Todos bebiam, ouviam Beatles e conversavam sobre assuntos que leram durante a semana – sem muito aprofundamento e com certa informalidade, afinal o álcool já estava fazendo efeito.
- Jack Welch “é o cara”!
- Jack Welch é um fanfarrão, ele não se preocupa com o ser humano!
- Você pode ganhar R$ 2 milhões em dois anos e perder R$ 5 milhões em um minuto na bolsa de valores.
- O João Moreira Sales escreveu uma matéria sobre o FHC! O ex-presidente ganha muito dinheiro no exterior e não sabe nada de Brasil! O jornalismo narrativo...
Depois ainda começaram os “bate papos” sobre quem ficou com quem, quem “pegou” quem.
- Eu “garrei” 35 naquele carnaval.
- Deixa de ser ridículo menino, só pensa nisso!
Lá no sítio todo mundo podia gritar, falar o que quiser; era uma sensação de liberdade inexplicável. Pelota estava feliz, era o que ele esperava do fim de semana. E a festa ainda prometia...

A noite chegou. Amigo beijou amiga e eles já estavam mais “pra lá do que pra cá”. Foi então que Pelota percebeu que a cerveja estava acabando. Isso não poderia acontecer, era preciso comprar mais. Ligaram para o armazém da cidade e estava fechado. Tentaram ir ao sítio vizinho e nada de cerveja. Depois de muitas reclamações, tanto dos homens quanto das mulheres, todos pararam para observar Pelota.
- A noite já era, disse o dono do sítio. E continuou...
- Eu juro que eu preciso de mais cerveja! Eu jurooo...
Eles estavam rindo e Pelota não entendia. Chegou a achar que tinha alguma coisa diferente em seu corpo. Sacudiu a camisa, mexeu no cabelo e nada. Continuou o Protesto, e todos continuaram a rir. Parecia o líder de um governo de esquerda com uma platéia de eleitores direitistas. Pelota só percebeu o problema quando a contradição do discurso se tornou mais que evidente: ele estava em cima da mesa do almoço rogando por mais bebida. Riu tanto quanto os amigos e viu que era a hora de parar de beber. Todos concordaram. Foram para a sala conversar, assistir televisão e aos poucos foram dormir. Uns deitaram no quarto e outros ficaram na sala mesmo.
No dia seguinte Pelota acordou e viu seus amigos esparramados pela casa. Ele deu um sorriso de contentamento porque eles ainda estavam lá, reunidos, e também porque estavam esparramados. Apressou-se em acordá-los, pois precisava ir ao jogo do galo em Belo Horizonte. Eles conversaram um pouco antes de partir. Comentaram sobre o dia anterior, mas não estavam tão empolgados. Agora, faltava mais uma longa semana para um novo reencontro.

Felipe Izar

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Efeito contrário

O filme Tropa de Elite de José Padilha e Rodrigo Pimentel teve uma repercussão muito além do esperado. Tem razão se ser. O filme é bom, tem bons atores e retrata uma realidade no Brasil, como a do crime e do trafico de drogas, que merece reflexão. O problema é que ao invés de uma análise sobre a relevância do tema, as pessoas se divertem, acham que o capitão nascimento - protagonista do filme - é um herói e fazem com que o ótimo filme perca o efeito reflexivo. Mesmo com a crença de que o longa-metragem tenha sido uma jogada de marketing de Padilha e Pimentel, que através de atores globais deram um toque do “belo” a um assunto tão sério, é uma ignorância assistir ao filme e fazer apenas brincadeiras e piadas sobre ele. Não é possível que a hipocrisia do ser humano, corrupto, mentiroso; a falta de respeito com o outro; e a razão da violência como culpa de todas as camadas sociais seja motivo apenas de risadas.
As pessoas comentam que no filme a polícia especializada no Rio de Janeiro é incorruptível, e que só daquela forma é que o tráfico pode ser combatido. Pois eu penso que o longa mostra exatamente o contrário. Essa polícia age com uma violência exagerada e sem sentimento algum. É apenas caçar e matar. Não é possível que assim seja a melhor forma de combater a violência no Brasil. Além disso, nem o mais ingênuo dos cidadãos deve achar que essa polícia seja realmente incorruptível.
Mas vamos esquecer um pouco do respeito às pessoas e pensar na eficácia da polícia. No dia 22 de outubro, a antropóloga Alba Zaluar escreveu na Folha de São Paulo que o tráfico de drogas é uma grande empresa, e obtém seus lucros extorquindo os mais fracos – gerentes, vapores, soldados e olheiros. Estes trabalham para os chefes, ganham um salário insignificante e, quando presos, param de receber. A antropóloga diz: “Nada justifica, portanto, que policiais cacem e matem quem deveriam prender para investigar melhor os meandros dessa empresa tão lucrativa e tão violenta. Fora os danos à imagem da polícia, há prejuízos na informação acerca dos fornecedores de armas que, presos, dariam”. Ora, é claro que os ditos fracos, presos e sem nada a perder cederiam informações sobre os “chefões do tráfico”. Não tem porque, então, chegar matando.
Percebe-se que o longa de Padilha e Pimentel mostra uma ação um tanto questionável da polícia, e não a ação de heróis.
O filme também faz uma crítica muito dura em relação aos usuários de droga. Estudantes de direito, provavelmente de classe média-alta, que fumam maconha, cheiram cocaína, e ao mesmo tempo fazem passeatas pela paz. Padilha disse na revista Época: “Tem alguma coisa errada”! Tudo bem, é de se pensar sobre o assunto da legalização da droga, que em países como a Holanda esse método dá certo, pois acaba com o comércio dos traficantes. Mas o fato é que o filme mostra um lado pouco discutido, que deve nos chamar a atenção para pensarmos sobre como agimos, e não para contar piadas sobre isso.
O cronista Fernando de barros e Silva, também na Folha de São Paulo do dia 22, faz um comentário irônico em relação a essa crítica sobre os universitários do longa: “Os estudantes do filme são retratados como um bando de desmiolados, entorpecidos pela fumaça teórica que lhes ensinam na sala de aula”. Pois eu acredito que existam desmiolados mesmo. Principalmente porque esses estudantes, pelo que vejo, são os pioneiros na implantação das brincadeiras e da “modinha” das gírias advindas do filme. Além do mais, o longa, como tudo que o homem escreve, fotografa e filma, é um recorte da realidade, e, portanto, não é possível chegar à verdade absoluta. O filme de fato exagera, tem um toque de ilusão, mas mostra uma realidade dura de ser encarada pelo homem. Fausto neto diz em sua obra: “O mundo se dá a conhecer através da ilusão”.

Felipe Izar

domingo, 21 de outubro de 2007

Tem 6 anos...

Tava conversando com o Pedro hj... E a gente estava discutindo os motivos pelos quais a patota não é mais AQUELA patota. E essa reflexão me fez escrever um texto. Meio tosquinho e mal escrito por que meu negocio mesmo são os números e não as palavras.

A Patota era o Pedro. Era o Lucas, a Julia, o Hector, a Cla, o Leandro, o Diogo. Tinha a Vinha, Vivi, Lais, Januzzi, Fê Januzzi, Ludmila e de vez em quando a Lívia e uma paixão não correspondida. Ai teve um aniversário de 18 anos, no nosso prédio, o nosso QG. E a patota cresceu. Veio o Deco, o Bruno, um tal de Chuck , o Felipe (que hoje é Pips) e o Duduuuuuuu. E continuava tendo os que só apareciam de vez em quando: Simone, Izabela, ET e tinha até um Alemão. Tinha festinhas no prédio, quando chamavam todo mundo e todo mundo ia, com violão birita e muita zuação. Tinha até uma banda. Que era mais do que Swat, era a banda da patota. E a gente ia aos ensaios, aos shows e todo mundo era do fã clube. Tiveram várias festas surpresas e um carnaval inesquecível. O esporte da patota era jogar vôlei com uma bola invisível. Tinha os vidrinhos suspeitos e garrafas pet com vodca e fanta laranja. Um ônibus São João- Tiradentes. Várias musiquinhas. Um João que era o bonito e outro que era o feio. Ai teve um aniversário em Ouro Branco... E mais vidrinhos suspeitos e pessoas malucas. Tinham as festas num terraço. E a galera ficava insana. E mais outro carnaval. E com ele, pessoas novas. Uma maluca que todo mundo adorou. Um primo chato, um Mário, e outro que até cheirou acetona. E teve uma hora que todo mundo chorou. E mais bebedeira. E mais churrascos. E mais aniversários. E nesse meio aparecem mais nomes, Andressa, Julia, Fabio, Lopes, Maria, Xande (que até então era Duduzinho). Teve uma festa à fantasia. Um ponto de Encontro. Namoros começam. Namoros terminam. Novo lugar pro carnaval: Diamantina! E um monte de gente diferente. Até que em fim veio a Jana, Veio a Aninha, o Pedro. Teve uma ladeira gigante. Teve peido de amigo e mais gente bêbada chorando. Mais Ouro Branco, Esmeraldas. Mais churrascos e muitos trotes. Uma Maruero que tentou, em vão, ser Swat. Mais namoros. E a patota é só pegação. Beijo de Patotense combina com beijo de patotense. Aparece uma Mariana, um Bob Esponja, um Zé carnaval, uma Carol e um outro Bernardo. Teve a copa e teve Abaeté, maciotas e muitas festas e viagens malucas.
(.
..) [Reticências por que a patota continua fazendo história]
E assim caminha essa Patota!
Uns estão formando, morando em outro lugar. Alguns a gente nem sabe mais onde esta.

E eu sinto falta de mais festa no prédio dos meninos, sinto falta do violão e do beber por beber na casa de alguém. Lembra? Dos programas patotescos? Era assim que eles se chamavam...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Uma nova Tropa de Elite passa pelo Rio...

O Rio foi mais ou menos assim: uma delícia. Ela conta pra vocês...
Numa sintonia perfeita eles chegam ao mesmo tempo. Juntos. E juntos foram bebemorar a beleza daquele lugar. Um brinde ao acaso, ao show e àquela união. E ainda era quinta-feira.
Mar combina com madrugada. Madrugada rima com empolgada e empolgada era aquela turma, que foi parar em Ipanema. E a sexta chegou cedo.
Se você que lê conhece um tal de Felipe Izar sabe que ele acorda antes de todo mundo. E sabe que ele acorda os outros. Naquele dia não foi diferente. Acordados, música, sol, céu azul, praia.
Pôr-do-sol, fim da cerveja, casa. Uma casa ótima. Com música que não acabava mais. E o som bem alto pra animar. Eles tinham bom gosto. Incubus, Rolling Stones, Mutantes, David Gilmour, Eric Clapton, Robert Plant, Red Hot, Jeff Healey, Paul McCartney, Elis e vaaaarios outros de babar vendo o DVD.
Falando em DVD, o comentário pegou geral... Ô zero dois, tu é muleque 02. Pede pra sair, pede pra sair... Faca na caveira, nada na carteira... Sim, eles também assistiram Tropa de Elite. E decoraram todas as falas. Mas a sexta ainda não acabou.
Lapa. Ah, a Lapa. Eles deliraram com o arco, com as pessoas, com o movimento, com as diferenças, com o circo, com todas as possibilidades que aquele lugar oferecia. Uns foram para o baile funk, outros para o bar/boate e outros para o bar/cerveja. Todos voltaram mais empolgados do que foram.
Sábado era o grande dia.
A manhã passou rápida. Na cama. A tarde chegou e a praia já estava cheia. Ficaram lá até o sol se pôr desfrutando bem o último dia juntos no/do mar. E assim abandonaram a idéia de ver a oitava maravilha do mundo. E a noite veio.
Incubus, Barra, Patota. Um show que eles não vão esquecer.
A volta revela que o fim de semana estava chegando ao fim. Realmente tudo que é bom dura pouco. Mas o suficiente para ser lembrado.
E eles voltaram felizes pra casa.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Tropa de Elite

Vale a pena ver de novo!!!

Ô 02, tu é muleque 02. Pede pra sair, pede pra sair.

Bandido bom é bandido morto.

Bota na conta do papa.

Faca na caveira, nada na carteira.

- Na cara não por favor, vai estragar o meu enterro !
- Na cara não é? Filha da puta. Ô 07 passa a doze ai !!!

Homem de preto que é que voce faz?
Eu faço coisas que assusta o satánas.
Homem de preto qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpo no chão.

sábado, 13 de outubro de 2007

A saga do poeta:.

O poeta tem a alma do sonhar. E no fundo o receio em se apegar. É ser livre, se entregar, errar. Sentir a dor profunda da tristeza, mas como mais ninguém sentir a alegria de um olhar. É saber enxergar o poço imundo como belo, se encantar. Fantasiar cada gesto como se quer ver; procurar, mergulhar até o cansar, o renascer. É o pôr do sol até o seu amanhecer.
A fotografia de uma pétala no lixo. A melodia do que não foi resolvido. A pureza e o esgoto de um rio. A madeira e o desgosto do fogo. A dúvida do ser, estar; a capacidade de reinventar. A infinitude.
É batutar e não se importar. É agir de coração. É sentir a emoção da tentação. Encarar. Não se poupar, aceitar e não paragmatizar. É o silêncio, a tempestade. O desatino. Respirar. É a erva, o céu, a flor da terra e a correnteza que bate. É penetrar em cada estação, de curta ou longa duração.
E girar dentro de sua moradia. É não saber viver em ponto, eu conto: é poder voar.


(Kel Mello)

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

por aí...

"Pode ser, pode não ser. Filosofaram. Às vezes acredito. E não estou preocupada com a instauração de nenhuma convicção. Nunca estive. Já fui condenada por não tê-las, ou de tê-las frouxas. Nunca quis ter domínio sobre nada, a não ser, de vez em quando, sobre mim mesma. Mesmo assim só quando achei necessário. Se sou insegura é porque sou capitã, não sou marujo. Não obedeço ordens nem tenho trabalho a cumprir: comando meu barco e como o vento muda eu tenho que parar para pensar. Busco cada vez mais a dúvida, o descontrole, mas não estou num barco à deriva. Quem me descontrola sou eu. Quando me descontrolo estou tentando ser ou deixar de ser. Não dependo de vento nem de maré. Gosto de onda. Gosto de me deixar partir.
Tenho tentado usar uma aliança aberta, mas ela às vezes se engancha no primeiro que passa. Aliança-anzol. Pequenas felicidades me enobrecem. Como por exemplo, parar de dizer “ele” e começar a dizer “você”. Não amo mais quem não me ama. Amo quem eu acho que me ama. Se estiver amando errado de novo, não tem problema: me arrependerei. Pois eu arrependo. Não se arrepender é não (re)ver. Nada me impede de mudar de opinião, se, no momento em que eu a defendo, sou eu, sinto que sou eu. Quando deixo de sentir que sou eu, é que sou eu, com uma nova possibilidade de ser."
Christiane Tassis.. e eu podia jurar que ela estava falando de mim.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

João do vídeo - Parte 3

... e a saga continua.

O próximo vai ser mais legal. O João garantiu.

Seja criativo e sugira algo q presta aki óh:
htt://joaodovideo.blogspot.com

domingo, 30 de setembro de 2007

Desenho Rápido - Maurício Ricardo

Recebi um email do Lucas com esse vídeo e achei muito legal. O cara tem a manha de começar o desenho!! haha

Divirtam-se aí!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

João do vídeo - Parte 2

e a luta continua...

http://joaodovideo.blogspot.com