O poeta tem a alma do sonhar. E no fundo o receio em se apegar. É ser livre, se entregar, errar. Sentir a dor profunda da tristeza, mas como mais ninguém sentir a alegria de um olhar. É saber enxergar o poço imundo como belo, se encantar. Fantasiar cada gesto como se quer ver; procurar, mergulhar até o cansar, o renascer. É o pôr do sol até o seu amanhecer.
A fotografia de uma pétala no lixo. A melodia do que não foi resolvido. A pureza e o esgoto de um rio. A madeira e o desgosto do fogo. A dúvida do ser, estar; a capacidade de reinventar. A infinitude.
É batutar e não se importar. É agir de coração. É sentir a emoção da tentação. Encarar. Não se poupar, aceitar e não paragmatizar. É o silêncio, a tempestade. O desatino. Respirar. É a erva, o céu, a flor da terra e a correnteza que bate. É penetrar em cada estação, de curta ou longa duração.
E girar dentro de sua moradia. É não saber viver em ponto, eu conto: é poder voar.
(Kel Mello)
sábado, 13 de outubro de 2007
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