quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Uma nova pinta:

Mais uma viagem conquistada pelas lembranças. Após quatro anos retornei ao mesmo lugar. Com ânsia, pelo caminho refleti sobre tudo que nesse, com esse tempo se passou. No passado fui atrás de um certo amor. Na atual viagem, atrás de qualquer tipo de amor. E acima de todas as loucuras que com ela fizeram pela minha cabeça passear, o desejo de resgatar. Sim, as coisas positivas que com o tempo deixei que a vida deixasse. Pensei, pensei muito. Sempre penso muito. As vezes consigo silenciar, mas dessa vez o que queria mesmo era extravasar. E resgatar pedaços perdidos da identidade. Procurei em minhas lembranças cada um dos passos e suspiros antigos. Tentei encarar. Encarei. E vi como atitudes marcam, mas os sentidos com o tempo se esvaem. Consegui engolir tudo o que recebia a todos os momentos sem mastigar. E quando fui digerir cai na cama. Se passaram muitas coisas, e por menores que fossem elas meu cérebro era capaz de destrinchá-las. No começo da estada estava na ânsia por encontrar. Reencontrar o meu eu que por ali havia estado. Fui interrompida. Depois corri atrás daquela menina que antigamente, habitava em mim. E em meio a tudo, todas aquelas pessoas, todas as festas, todos os desejos, todos os barulhos e todo o silencio encontrei algo que aquela menina também encontrou, mas despercebida, sem procurar, não reparou. Encontrei novos fatos, novos sons, novos amigos, nova paixão, nova atração, novos momentos. Ela também havia encontrado, mas sem dar muito ouvidos a atenção. Procurando em tudo o que se passou ganhei uma experiência proposital de vida. E com a alma aberta e desprevenida, poderia ser mais surpreendida e trazer mais coisas naturais para a frente da vida. Como o que em meu braço surgiu, uma nova pinta. Mas acima de tudo encontrei o sentido do tempo que passou. Que o ritmo dos passos estão desvirtuados ao tempo que foge. Sobrevivi. Que eles só podem ser dados no tempo que corre. Vi com os mesmos olhos verdes com que enxergava o seu redor, aquela menina. Mas por outras janelas de percepção, fui ver que tudo é progressivo. Toda nova paixão. E que o tempo em toda sua razão, se resume em transformação.

(Kel Mello).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O sonho escondido

10 horas da manhã e o banco já estava cheio. As pessoas estavam mal humoradas, ora protestando em silêncio por um atendimento rápido, ora incrédulas ao protesto. João, um dos funcionários do banco, estava atendendo no caixa, onde os clientes abrem e fecham suas contas. As mãos habilidosas, sempre em busca do limite da velocidade, às vezes se embaralhavam nas teclas do computador. A pressão era muito grande e por isso ele evitava olhar para o rosto das pessoas. Talvez assim ele ficasse menos nervoso.
- Me empresta sua identidade, por favor, disse João.
O cliente apenas murmurou e entregou o documento.
- O senhor é solteiro?
- hunhum.
- Você quer cartão de crédito?
- Ah! Pode ser!
- E cheque especial?
- Com esses juros absurdos! De jeito nenhum!
- Tudo bem, senhor. Daqui a vinte dias o cartão chega a sua casa.
-Fazer o que, ne? Obrigado.
Assim João trabalhou durante toda a manhã. Independentemente do humor dos clientes as respostas eram sempre as mesmas. E ele recebia aquilo como se fosse um elogio. “O cliente está em primeiro lugar”. João respeitava essa frase com muito compromisso.
Subitamente ele olhou o relógio e estava na hora do almoço. O alívio confortou seu corpo, mas ele sabia que era por pouco tempo. A marmita fria foi requentada em um microondas no fundo de sua agência, pois não havia tempo de sair para comer; o período de descanso era de no máximo 15 minutos. João engoliu a comida, foi ao banheiro e logo voltou para o seu posto. Respirou fundo e com o rosto alegre continuou o trabalho.
- Tudo bem, senhor?, disse João.
- Tudo péssimo!, retrucou o homem.
- O que aconteceu?
- Tem essa taxa aqui que eu não sei o que é.
- Deixe-me ver. Senhor, essa tarifa é a CPMF, ela é obrigatória, o banco não pode resolver isso.
- Mas não é possível! Isso é um absurdo!
- Eu também acho, senhor. Mas o banco não pode fazer nada, o sistema não permite.
- Então, eu quero cancelar minha conta!
- Senhor, mas nós temos várias vantagens...
- Não quero saber, quero cancelar a conta!
- Tudo bem, eu vou ver o que posso fazer.
João pediu para o cliente aguardar e depois de alguns minutos voltou.
- Senhor, o gerente fez uma promoção especial. Durante três meses você pode comprar no cartão de crédito sem os juros aqui do banco.
- Hum, pelo menos isso! Obrigado.
Quatro da tarde e estava quase na hora de João terminar seu expediente. O banco ainda estava cheio e talvez ele passasse um pouco do tempo. Seu raciocínio já estava confuso devido ao cansaço. Uma mão massageava a outra para diminuir a tensão de tanto bater nas teclas. Ele já não agüentava aquilo, eram muitos anos de trabalho. Sua promoção no banco estava para sair, mas João não se conformava com a demora para subir de posto. O motivo de sua permanência era pela pressão da mulher, que alegava se preocupar com a tranqüilidade dos filhos. Além disso, João sempre ouvira da família que o mundo não estava fácil, que era preciso ter um emprego estável. Naquele fim de tarde, isso tudo passava por sua cabeça e, como sempre, em um intervalo pequeno de tempo.
De súbito, um homem mais velho sentou a sua frente e o cumprimentou. João ficou um pouco assustado, pela primeira vez alguém fora simpático e estava com um rosto acolhedor.
- Tudo bem, senhor?
- Eu estou ótimo, mas você parece cansado.
- É, senhor. O dia inteiro atrás dessa máquina não é moleza.
- Ah, deve ser extenuante mesmo. Mas então, por que você não sai de trás dela?
- Bem que eu queria, sou formado em jornalismo e até hoje não consegui realizar meu sonho. Queria ser um escritor, trabalhar em uma redação de jornal, em uma revista.
- Pois então vá rápido, nesse ritmo nem vai ter chance de sonhar de verdade. A velocidade dos seus dedos aqui apenas o leva para o mesmo lugar.
João parou de teclar como se estivesse estragado; era como o despertar de sua parte humana, escondida atrás da máquina de escrever dados.
- Pois então, senhor, qual é esse sonho?, indagou João, atônito.
- Ah, é um que chega tarde. Eu espero que você esteja preparado, ao invés de se arrepender.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Que falta que esses danadinhos fazem

Tem gente que acha que pode sair assim da vida da gente e demorar três meses pra voltar.. tem gente que acha que pode demorar até um ano.. e pior ainda quando o desaparecimento se dá por volta do natal, ano novo e carnaval.
Queria ser tipo um Todo Poderoso pra teletransportar todo mundo pra perto quando minha saudade ficasse insuportável. Quero todos eles aqui e agora. Pronto.
Quero também aqueles que estão aqui mas que não to vendo tanto.
Sou egoísta mesmo. Uma vez me deram uma turma de amigos maravilhosa e de repente fica tudo esquisito. Cadê todo mundo?
Agradeceria muito se alguns deles pudessem aparecer por aki e deixar um recado pra mim dizendo que tudo vai ser como antes.
Por favor.