segunda-feira, 8 de outubro de 2007

por aí...

"Pode ser, pode não ser. Filosofaram. Às vezes acredito. E não estou preocupada com a instauração de nenhuma convicção. Nunca estive. Já fui condenada por não tê-las, ou de tê-las frouxas. Nunca quis ter domínio sobre nada, a não ser, de vez em quando, sobre mim mesma. Mesmo assim só quando achei necessário. Se sou insegura é porque sou capitã, não sou marujo. Não obedeço ordens nem tenho trabalho a cumprir: comando meu barco e como o vento muda eu tenho que parar para pensar. Busco cada vez mais a dúvida, o descontrole, mas não estou num barco à deriva. Quem me descontrola sou eu. Quando me descontrolo estou tentando ser ou deixar de ser. Não dependo de vento nem de maré. Gosto de onda. Gosto de me deixar partir.
Tenho tentado usar uma aliança aberta, mas ela às vezes se engancha no primeiro que passa. Aliança-anzol. Pequenas felicidades me enobrecem. Como por exemplo, parar de dizer “ele” e começar a dizer “você”. Não amo mais quem não me ama. Amo quem eu acho que me ama. Se estiver amando errado de novo, não tem problema: me arrependerei. Pois eu arrependo. Não se arrepender é não (re)ver. Nada me impede de mudar de opinião, se, no momento em que eu a defendo, sou eu, sinto que sou eu. Quando deixo de sentir que sou eu, é que sou eu, com uma nova possibilidade de ser."
Christiane Tassis.. e eu podia jurar que ela estava falando de mim.

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