segunda-feira, 21 de maio de 2007

A falta que eles me fazem

“Nossa! Ontem eu descobri outro apelido seu. Um cara te chamou de Peteca”, um amigo disse ao outro no dia seguinte de uma festa. O outro explicou que era devido ao corpo magro e a cabeça grande, e todos nós rimos. - Era da época do colégio.
Nós tínhamos acabado de acordar e, de ressaca, tentávamos lembrar a noite passada. Mas o que me chamou a atenção foi a nostalgia criada por causa do apelido. Eu me lembrei de vários que tive na infância, e de alguns amigos perdidos que me chamavam por esse jeito particular da amizade. Amigos que as prioridades e necessidades da vida me fizeram afastar, e que a maioria não vejo há vários anos. Melhor que fosse assim com todos.
Alguns desses amigos ainda encontro. Pior que perdê-los, é sentir que o tempo realmente conseguiu distanciar um sentimento tão próximo que é a amizade. Por isso, quando ouço um apelido do passado não me sinto bem. Fico feliz por rever alguém depois de muito tempo, mas troco poucas palavras e logo vejo que a intimidade se foi. Em alguns minutos, mais um desencontro e a incerteza se o verei mais uma vez.
Após a efêmera conversa, eu me sinto angustiado. Tento aliviar o desconforto contando casos do passado aos amigos que ainda estão próximos, mas percebo que isso aumenta o vazio em que me encontro.
- Esse cara jogava bola como ninguém. O apelido dele era “Cabeção”.
- Essa menina é linda! Estudava comigo, na 7º série. È a “Fê”.
- Teve um dia...
Com isso, eu me calo. E em silêncio prometo não distanciar de mais ninguém. Ilusão, eu sei. As exigências da vida não perdoam. Mas prometo mesmo assim.
Ainda um pouco atônito, vou me conformando com o que houve, e fico com vontade de cuidar, cada vez mais, desse sentimento que tanto me faz falta. Um sentimento que me constrói, que me faz crescer, aprender, respeitar o encontro com o outro, conviver.
Felipe Izar (Pips)

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