Mais uma viagem conquistada pelas lembranças. Após quatro anos retornei ao mesmo lugar. Com ânsia, pelo caminho refleti sobre tudo que nesse, com esse tempo se passou. No passado fui atrás de um certo amor. Na atual viagem, atrás de qualquer tipo de amor. E acima de todas as loucuras que com ela fizeram pela minha cabeça passear, o desejo de resgatar. Sim, as coisas positivas que com o tempo deixei que a vida deixasse. Pensei, pensei muito. Sempre penso muito. As vezes consigo silenciar, mas dessa vez o que queria mesmo era extravasar. E resgatar pedaços perdidos da identidade. Procurei em minhas lembranças cada um dos passos e suspiros antigos. Tentei encarar. Encarei. E vi como atitudes marcam, mas os sentidos com o tempo se esvaem. Consegui engolir tudo o que recebia a todos os momentos sem mastigar. E quando fui digerir cai na cama. Se passaram muitas coisas, e por menores que fossem elas meu cérebro era capaz de destrinchá-las. No começo da estada estava na ânsia por encontrar. Reencontrar o meu eu que por ali havia estado. Fui interrompida. Depois corri atrás daquela menina que antigamente, habitava em mim. E em meio a tudo, todas aquelas pessoas, todas as festas, todos os desejos, todos os barulhos e todo o silencio encontrei algo que aquela menina também encontrou, mas despercebida, sem procurar, não reparou. Encontrei novos fatos, novos sons, novos amigos, nova paixão, nova atração, novos momentos. Ela também havia encontrado, mas sem dar muito ouvidos a atenção. Procurando em tudo o que se passou ganhei uma experiência proposital de vida. E com a alma aberta e desprevenida, poderia ser mais surpreendida e trazer mais coisas naturais para a frente da vida. Como o que em meu braço surgiu, uma nova pinta. Mas acima de tudo encontrei o sentido do tempo que passou. Que o ritmo dos passos estão desvirtuados ao tempo que foge. Sobrevivi. Que eles só podem ser dados no tempo que corre. Vi com os mesmos olhos verdes com que enxergava o seu redor, aquela menina. Mas por outras janelas de percepção, fui ver que tudo é progressivo. Toda nova paixão. E que o tempo em toda sua razão, se resume em transformação.
(Kel Mello).
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
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2 comentários:
pintas..tantas novas me salpicam a pele.
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