segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Um breve relato

Senhora Ivone, representante do Diretor Acadêmico;
Demais Autoridades e Professores aqui presentes;
Senhores Pais e Convidados;
Caros colegas:
Boa noite.
Fazer este discurso não foi fácil. Na verdade ele foi criado com aquele cachorro preto do Henfil das aulas da Glória correndo atrás de mim. Para quem não sabe, o tal cachorro preto é aquela urgência, a necessidade, o prazo estourando, o último dia. E publicitário é bom nisso! Você pode estar até doente, com o joelho arrebentado, mas se vem um cachorro preto, um doberman atrás de você, ninguém hesita. Todo mundo corre e, se preciso, até pula n'água sem saber nadar.
Bom, um discurso de formatura costuma se desenrolar como uma comédia, onde os formandos se sentem importantes e o orador sobe ao palco, declamando velhos-lugares comuns, repetindo elogios clássicos e se retira satisfeito. Todos aplaudem, todos sorriem. Tudo ocorre conforme as conveniências; afinal, formatura é formatura. Geralmente a platéia se comporta bem e não costuma atirar tomates no orador. Nesse quesito, eu espero que dessa vez não seja diferente.
E como oradora de uma turma de Publicidade e Propaganda acho que cairia bem começar vendendo o nosso peixe. Somos uma turma atípica e a diversidade é notável... Tem gente do Pará, do interior de Minas e até de Cabo Verde como vocês já perceberam. Uns migraram de outras turmas... Outros nem tinham uma turma certa e estão hoje aqui.. Tem ela que é 8 ou 80 e ele que usa all star. Ainda tem aquela querendo engravidar e aquela que já quis casar. Uma de cabelo colorido, outra que por culpa de um chiclete tem o cabelo curtinho e outro de apelido Cabelinho. Tem até gente fazendo aniversário hoje. Pessoas que entraram na Faculdade com muitos ideais, vontades muitas vezes utópicas, mas, sobretudo, sinceras. Uma multiplicidade. Uma mistura gostosa, que agora parte em busca de outras rodas.
E o tempo rodou num instante.

Somos publicitários. Transformamos a realidade. Desarranjamos. Revelamos. Infiltramo-nos nas noções preconcebidas e nos divertimos inventando novos caminhos. Provocamos e mudamos pontos de vista. Talvez sejamos fotógrafos, cineastas, produtores, artistas, designers, professores, cantores e porque não dizer médicos, hein Mudado?
Eh, e quem disse que a vida é fácil?
Fazer publicidade parecia simples assim. O curso feito para você. Uma carga horária viável, com direito a escapadinhas que refrescavam até pensamento. Começávamos o dia com uma energia que dá gosto e terminávamos quase sempre com uma boa idéia. Parecíamos viver sem fronteiras. Pois é; a primeira impressão nem sempre é a que fica. E na pele de um aspira aprendemos e sofremos muito com o projeto experimental e as intermináveis regras da ABNT. A vontade de colocá-los na conta do papa era grande.
Mas como missão dada é missão cumprida, aqui estamos. Formados. E essa pica agora não é mais nossa.
Daqui pra frente não teremos mais a vida dividida em semestres e pegar uma especial significará desemprego. Um trabalho mal feito e logo dirão "pede pra sair; pede pra sair". E digo mais: se num passado não muito distante alguns fanfarrões que diziam ser publicitários agiram com mal caratismo e desonestidade, a nossa obrigação é não deixar que o conceito de Publicidade; em latim, Publicus; em francês, Publicité; em alemão, Werbung... Os senhores estão anotando?
Então eu vou retomar o raciocínio. A nossa obrigação é não deixar que o conceito de Publicidade; em latim... (olhar para a platéia) brincadeira... É não permitir que a nossa profissão seja vista como desonesta... É sermos profissionais éticos e competentes. E isso os fanfarrões.. NUNCA SERÃO.
Semente, futuro, iniciativa, sonhos, coragem, imprevisibilidade, questionamento, refrões, mudança, criatividade, talento, produtividade, experimentação, risadas, caminhos. Histórias. De Maciotas a Cachorradas temos realmente muito para contar e fico com a certeza de que serão boas as lembranças e quem sabe, no meio delas, haja uma ou outra coisa que tenhamos aprendido sobre Publicidade e Propaganda.
E que venha o mundo!!
Obrigada.

Janaína Salgado
Dezembro, 2007.
Para quem não viu, nem ouviu, este foi o meu discurso de formatura apresentado na colação de grau. A oradora aqui queria muito que vcs estivessem lá para presenciar os 5 minutos de glória no palco!! haha. Mas tudo bem.
E agora José? A menina formou.

3 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns, Jana!
Bem-Vindo ao clube dos formados!
Eu, na condiçao de membro-fundador, me mostro muito orgulhoso de mais uma comunicadora social crítica estar na área pra nosso deleite (ou medo de concorrencia?!)!
Seu discurso foi excepcional, as piadinhas do tropa de elite tbm!
Mas cá entre nós: formar dá ou nao dá ao mesmo tempo uma sensacao de alívio e um frio na barriga tremendo!!!!
Mas é isso aí! Faca na caveira, matou mais essa, e parabens por passar por essa etapa mágica da sua vida!
Fiquei triste d nao ter ido na colacao (aluns dvem ter ido) nem no baile (isso ninguem perde, nem amigo nem quem finge ser).
Até faço meu apelo aqui poque na minha foram meus amigos sim, mas que faltaram uns aí faltaram...

Felipe Izar (Pips) disse...

E agora, José?

Carlos Drummond de Andrade fez uma frase tão simples se tornar grandiosa.

Pois então, menina, você que tem a simplicidade na alma não terá problemas em fazer algo notável.

Parabéns pela formatura e pelo belo discurso que, infelizmente, não consegui ver.

Nina Salgado disse...

Ainda não consigo me acostumar com esse negócio.. é velhice?

Obrigada pelas palavras de carinho.

Amigos, formar é esquisito.